Brasil registra 88 casos de Mpox em 2024; saiba como evitar a doença

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O Brasil iniciou o ano de 2024 com a vigilância ativa sobre a Mpox, registrando até o momento <b>88 casos confirmados</b> da doença em diversas regiões do país. Este cenário, embora apresente uma redução significativa em comparação com os 1.079 casos e 2 óbitos contabilizados em 2025, exige atenção contínua e medidas preventivas eficazes. Os dados mais recentes, divulgados pelo Ministério da Saúde, indicam que a maioria dos registros atuais concentra-se no estado de São Paulo, com 62 casos desde janeiro, seguido pelo Rio de Janeiro (15), Rondônia (4), Minas Gerais (3), Rio Grande do Sul (2), Paraná (1) e Distrito Federal (1). A predominância de quadros leves a moderados e a ausência de óbitos neste período reforçam a importância do diagnóstico precoce e da implementação de ações de contenção.

Compreendendo a Mpox: Origem, Sintomas e Manifestações

Anteriormente conhecida como varíola dos macacos, a doença foi renomeada para Mpox pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com o objetivo de evitar estigmas e discriminação associados à sua antiga denominação. Causada pelo <i>vírus Monkeypox</i>, a Mpox é uma zoonose, o que significa que pode ser transmitida de animais para humanos, embora a transmissão entre humanos seja a principal preocupação em surtos urbanos. Os sintomas da Mpox são variados e, frequentemente, se desenvolvem em fases. O mais característico é a <b>erupção cutânea</b>, que pode surgir em qualquer parte do corpo – incluindo face, palmas das mãos, solas dos pés, virilha e regiões genitais e/ou anal. As lesões evoluem de manchas vermelhas para pápulas (pequenas elevações), vesículas (bolhas cheias de líquido claro), pústulas (bolhas com pus) e, finalmente, crostas que secam e caem, processo que pode durar de duas a quatro semanas.

Além da erupção cutânea, o quadro clínico da Mpox pode incluir uma série de sintomas sistêmicos. É comum que o paciente apresente <b>febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares (mialgia) e dores nas costas</b>. A apatia, que é uma sensação de cansaço extremo e falta de energia, também pode estar presente. Outro sintoma relevante são os <b>gânglios linfáticos inchados</b> (linfadenopatia), que podem ser percebidos no pescoço, axilas e virilhas. Esses sintomas gerais costumam preceder ou acompanhar o surgimento das lesões na pele, alertando para a possibilidade da infecção.

Mecanismos de Transmissão: Como o Vírus se Espalha

A transmissão da Mpox ocorre primariamente por <b>contato pessoal próximo e prolongado</b> com uma pessoa infectada. Isso inclui diversas formas de interação direta: o contato pele com pele, como toque prolongado, beijos, ou relações sexuais (vaginal, anal e oral). É crucial entender que, embora o contato sexual seja uma via de transmissão importante, a Mpox não é classificada exclusivamente como uma infecção sexualmente transmissível (IST), pois outras formas de contato íntimo também podem transmitir o vírus. Gotículas respiratórias de curto alcance e aerossóis, gerados ao falar ou respirar muito próximos de alguém infectado, também podem ser uma via de contágio.

A doença também pode ser transmitida através do <b>compartilhamento de objetos ou superfícies recentemente contaminados</b>. Materiais de uso pessoal, como toalhas, roupas de cama, lençóis e utensílios que entraram em contato com fluidos corporais ou materiais das lesões de uma pessoa infectada, podem veicular o vírus. Por isso, a higiene ambiental e pessoal assume um papel fundamental na prevenção da disseminação. O período de incubação, ou seja, o tempo entre o primeiro contato com o vírus e o aparecimento dos primeiros sinais e sintomas, varia tipicamente de 3 a 16 dias, podendo se estender até 21 dias. Este intervalo é crucial para o rastreamento de contatos e a implementação de medidas de isolamento.

Diagnóstico Preciso e a Importância da Busca por Atendimento Médico

Ao notar qualquer um dos sintomas descritos, especialmente o surgimento de erupções cutâneas ou lesões, é fundamental procurar uma unidade de saúde imediatamente. Apenas o <b>exame laboratorial</b> pode confirmar a presença do vírus Mpox, geralmente realizado a partir de amostras das lesões ou fluidos corporais. O diagnóstico precoce é vital não só para o início do tratamento adequado, mas também para a interrupção das cadeias de transmissão, por meio do isolamento do caso e rastreamento de seus contatos.

A complexidade dos sintomas da Mpox exige que o diagnóstico considere diversas outras condições que apresentam manifestações cutâneas semelhantes. O diagnóstico diferencial inclui doenças como varicela zoster (catapora), herpes zoster, herpes simples, infecções bacterianas da pele, infecção gonocócica disseminada, sífilis primária ou secundária, cancroide, linfogranuloma venéreo, granuloma inguinal, molusco contagioso, e reações alérgicas. A distinção precisa entre essas condições é crucial para evitar erros diagnósticos e garantir que o paciente receba o tratamento correto, evitando complicações desnecessárias.

Medidas de Prevenção e Tratamento da Mpox

A prevenção da Mpox baseia-se em um conjunto de medidas de higiene e contenção. O Ministério da Saúde orienta que pessoas com suspeita ou confirmação da doença devem cumprir <b>isolamento imediato</b> e rigoroso até o término do período de transmissão, que se encerra após a queda de todas as crostas e a formação de uma nova camada de pele. Durante o isolamento, é crucial <b>não compartilhar objetos e materiais de uso pessoal</b>, tais como toalhas, roupas, lençóis, escovas de dente e talheres, para evitar a contaminação de outras pessoas.

A higiene frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel é uma medida protetora essencial, especialmente após o contato com pessoas infectadas ou com itens que possam ter sido contaminados por fluidos ou lesões. Em ambientes onde há contato direto com um indivíduo infectado, como no caso de cuidadores ou profissionais de saúde, o uso de <b>equipamentos de proteção individual (EPIs)</b>, como luvas, máscaras, avental e óculos de proteção, é fortemente recomendado. Além disso, a limpeza e desinfecção de todas as superfícies potencialmente contaminadas, juntamente com o descarte adequado de resíduos infecciosos (como curativos), são práticas indispensáveis para controlar a propagação do vírus. Roupas de cama, roupas pessoais e toalhas do paciente devem ser lavadas separadamente, com água morna e detergente.

Atualmente, <b>não há um medicamento específico e amplamente aprovado para o tratamento da Mpox</b> em todos os casos. O tratamento consiste, em sua maioria, no alívio dos sintomas, na prevenção e no manejo de possíveis complicações, além de evitar sequelas. Isso inclui o controle da febre e da dor, hidratação adequada e cuidados com as lesões cutâneas para prevenir infecções bacterianas secundárias. Em casos graves ou para pacientes com alto risco de complicações, antivirais como o tecovirimat (TPOXX) podem ser considerados, embora seu acesso seja restrito e seu uso muitas vezes sob protocolos de pesquisa ou emergência.

Riscos, Complicações e Grupos Vulneráveis da Mpox

Embora a maioria dos casos de Mpox evolua de forma benigna, com os sintomas desaparecendo espontaneamente em poucas semanas, a doença pode, em certas pessoas, provocar complicações médicas sérias e, em situações mais raras, levar à morte. Os grupos mais vulneráveis a desenvolver quadros graves incluem <b>recém-nascidos, crianças pequenas e pessoas com imunodepressão pré-existente</b> – como indivíduos vivendo com HIV/AIDS, pacientes transplantados, ou aqueles em tratamento quimioterápico. Nesses grupos, o sistema imunológico pode não ser capaz de combater o vírus de forma eficaz, aumentando o risco de complicações e desfechos desfavoráveis.

As complicações graves da Mpox podem ser variadas e debilitantes. Elas incluem o desenvolvimento de lesões cutâneas maiores e mais disseminadas, que podem afetar a boca (causando dificuldade para comer e beber), os olhos (potencialmente levando a problemas de visão ou cegueira) e os órgãos genitais (com dor intensa e risco de infecções secundárias). Outras complicações sérias abrangem infecções bacterianas secundárias da pele ou sistêmicas (septicemia), pneumonia (infecção pulmonar), encefalite (inflamação do cérebro) e miocardite (inflamação do músculo cardíaco). Pacientes com Mpox grave podem necessitar de internação hospitalar, cuidados intensivos e o uso de medicamentos antivirais para tentar reduzir a gravidade das lesões e acelerar a recuperação. Globalmente, dados históricos apontam que a taxa de letalidade pode variar entre 0,1% e 10%, dependendo da linhagem viral, do acesso a cuidados de saúde e das características da população afetada.

A Vacinação como Ferramenta de Saúde Pública

Paralelamente às medidas de prevenção e tratamento, a vacinação emerge como uma ferramenta importante na estratégia de saúde pública contra a Mpox. Embora não esteja amplamente disponível para a população geral, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já aprovou a primeira vacina para uso emergencial em crianças, e existem vacinas baseadas no vírus Vaccinia (relacionado à varíola) que são eficazes contra a Mpox. No Brasil, a vacinação é direcionada a grupos específicos de maior risco, como profissionais de saúde expostos ao vírus e contatos próximos de casos confirmados, visando proteger os mais vulneráveis e conter a disseminação da doença em surtos localizados.

A Mpox continua a ser uma preocupação de saúde pública, demandando vigilância, informação e ação. A redução dos casos em 2024 em comparação com o ano anterior é um indicativo positivo, mas a presença contínua do vírus no país reforça a necessidade de manter as medidas preventivas e buscar orientação médica ao primeiro sinal de sintomas. Informar-se é o primeiro passo para se proteger e proteger a comunidade. Para mais artigos sobre saúde, bem-estar e notícias relevantes para a sua comunidade, continue navegando no Periferia Conectada, o portal que te mantém informado e engajado com o que realmente importa.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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