A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) deu um passo decisivo para a concretização de um dos mais promissores projetos de inovação da região Nordeste: a transformação da icônica antiga sede da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) no Parque Tecnológico da UFPE (Parque.TeC UFPE). A publicação da licitação para a primeira fase das obras da lâmina norte do Edifício Celso Furtado, estrategicamente situado às margens da rodovia BR-101, na Zona Oeste do Recife, marca o início formal de uma revitalização que resgata um patrimônio histórico e o projeta para o futuro da tecnologia e da inovação. Este investimento inicial de R$ 9,6 milhões é fundamental para erguer um polo de conhecimento que promete impulsionar significativamente a economia local e regional.
A Primeira Etapa e a Estrutura do Parque.TeC UFPE
Nesta fase inaugural, o projeto visa a recuperação e adequação de três andares da torre norte do edifício. O espaço, que será a futura sede do Parque.TeC UFPE, abrigará a Incubadora de Empresas da universidade, um ambiente de coworking moderno e colaborativo para fomentar a criatividade e a troca de ideias, além de um laboratório de inovação especializado em Saúde Digital – área de crescente relevância e demanda. Serão disponibilizadas salas equipadas para startups e empresas âncoras, criando um ecossistema propício ao crescimento e à sinergia. Um auditório modular, concebido para flexibilidade na realização de eventos, palestras e workshops, complementará a estrutura, incentivando a disseminação de conhecimento e a formação de redes. A escolha da localização na BR-101 não é aleatória; ela proporciona visibilidade e acessibilidade cruciais para um centro de inovação que busca atrair talentos e investimentos de diversas fontes.
Um Parque Tecnológico é um complexo planejado para estimular a pesquisa, o desenvolvimento tecnológico e a inovação, facilitando a interação entre universidades, empresas, governo e a sociedade civil. Ao revitalizar a antiga Sudene, a UFPE não apenas recupera e moderniza um patrimônio arquitetônico de grande valor, mas o ressignifica, projetando-o para um futuro onde a geração de conhecimento, a criação de soluções tecnológicas e a formação de novos empreendedores serão os motores do progresso. Trata-se de um investimento estratégico na inteligência e na capacidade produtiva de Pernambuco e do Nordeste.
Resgatando o Legado da Sudene com Visão de Futuro
A decisão de instalar o Parque.TeC UFPE no Edifício Celso Furtado carrega um profundo simbolismo. A Sudene, criada em 1959 e idealizada pelo economista Celso Furtado, foi um marco no planejamento e desenvolvimento regional brasileiro, buscando combater as históricas desigualdades do Nordeste. O novo Parque Tecnológico, ao ocupar este espaço, assume a responsabilidade de dar continuidade a essa missão, agora por meio da economia do conhecimento e da inovação tecnológica. É uma ponte entre o passado de grandes ideias e um futuro de oportunidades, onde a UFPE se posiciona como protagonista na vanguarda da transformação socioeconômica da região.
Os recursos de R$ 9,6 milhões para esta etapa são frutos de uma importante parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), uma empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A captação se deu no âmbito do Edital de Apoio a Parques Tecnológicos em Implantação e em Operação – 01/2021, evidenciando o reconhecimento federal da importância estratégica do projeto. A Finep, essencial para o fomento à CT&I no Brasil, apoia iniciativas que geram impacto social e econômico significativo, e sua colaboração com a UFPE atesta a robustez e o potencial transformador desta empreitada.
O anúncio da licitação ocorreu durante o VI Programa de Formação de Startups da Incubadora do Parque.TeC, sublinhando a sinergia entre o projeto e as ações de fomento ao empreendedorismo. O evento contou com a presença de importantes lideranças universitárias, como o vice-reitor Moacyr Araújo e o pró-reitor de Pesquisa e Inovação (Propesqi), Pedro Carelli, além de dirigentes do Parque.TeC e representantes das startups incubadas. Segundo Pedro Carelli, “esse projeto de implantação de um ambiente de inovação destinado à geração de empresas de base tecnológica e científica a partir das pesquisas da UFPE tem o potencial de gerar um retorno extraordinário de relevância social e econômica da nossa universidade”, destacando a visão estratégica da Propesqi na captação de recursos para o desenvolvimento institucional e regional.
Próximos Passos e Expansão Futura
O percurso até esta licitação envolveu etapas complexas, como o tombamento do Edifício Celso Furtado. Reconhecido pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), o tombamento impôs requisitos adicionais ao projeto, garantindo a preservação das características arquitetônicas do imóvel, aprovados após minuciosa análise. Este cuidado com o patrimônio histórico reflete um compromisso com a memória sem abrir mão da modernidade. A Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da UFPE (Fade-UFPE) será a responsável por conduzir o processo de seleção e contratação das propostas licitatórias, que se estenderá pelos próximos meses, assegurando transparência e conformidade legal.
Além desta fase inicial, a ocupação do Edifício Celso Furtado prevê futuras etapas já com financiamento garantido pela Finep para projetos complementares. Entre eles, destacam-se o TeC.Maker, um laboratório de prototipagem e fabricação digital que facilitará a transformação de ideias em produtos concretos; o Centro de Bionegócios da Caatinga, focado na pesquisa e desenvolvimento de produtos e serviços a partir da rica biodiversidade do bioma semiárido nordestino, agregando valor e sustentabilidade; e o Instituto Quanta-UFPE, dedicado a pesquisas avançadas em áreas estratégicas, como tecnologias quânticas ou computação de alto desempenho, que posicionarão a UFPE na vanguarda da ciência.
Um Novo Polo de Conhecimento e Desenvolvimento Regional
A visão de longo prazo para a antiga sede da Sudene é transformar seus mais de 62 mil metros quadrados de área construída em um vibrante polo de conhecimento e desenvolvimento. Em maio de 2023, a UFPE já havia coordenado a formação de um consórcio multidisciplinar – composto por Finarq, Plantar Ideias, Urban System e Vieira Rezende Advogados – para a elaboração de estudos técnicos abrangentes, incluindo viabilidade, plano de negócios, e diagnósticos jurídico-urbanísticos. O objetivo é realizar um amplo retrofit do espaço, modernizando-o sem descaracterizar sua essência, preparando-o para abrigar um complexo integrado de ensino, pesquisa, inovação e parcerias estratégicas com o setor privado, funcionando como um catalisador de crescimento e inovação.
O projeto prevê a divisão do prédio em duas lâminas (norte e sul). A lâmina norte, foco desta licitação, abrigará as mais de 30 startups atualmente incubadas no campus da UFPE, que serão transferidas para um ambiente dedicado e de maior escala. A inclusão de um novo restaurante universitário nessa área não apenas atenderá à comunidade acadêmica, mas também promoverá a interação entre os diversos atores do ecossistema. Já a lâmina sul está sendo planejada para abrigar centros de pesquisa avançada, empresas de grande porte e projetos em parceria com o setor público e privado, consolidando o Parque.TeC UFPE como um hub completo e dinâmico, capaz de atrair investimentos e gerar soluções impactantes para os desafios regionais e nacionais.
A revitalização da antiga sede da Sudene é, portanto, mais do que uma obra de infraestrutura; é uma declaração de intenções sobre o futuro de Pernambuco e do Nordeste. É a aposta no conhecimento, na inovação e na colaboração como vetores essenciais para superar desafios e gerar prosperidade. Ao preservar o legado de um edifício que simboliza o planejamento estratégico para o desenvolvimento regional, a UFPE o projeta para ser um farol de inovação, atraindo talentos, investimentos e gerando soluções que impactarão a vida de milhões de pessoas.
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Fonte: https://jc.uol.com.br
