Em um cenário de crescente debate sobre o futuro energético e o desenvolvimento regional, a cidade de Caruaru, no Agreste pernambucano, foi palco de um importante encontro nesta sexta-feira (17). O jornalista e pré-candidato ao Governo de Pernambuco pela Federação Psol/Rede, Ivan Moraes, e o ex-deputado federal e pré-candidato ao Senado, Paulo Rubem Santiago, reuniram-se com lideranças locais para discutir a geração de energia, com foco especial no modelo cooperativista. A agenda reforça a atenção de figuras políticas relevantes para soluções energéticas sustentáveis e o empoderamento das comunidades rurais do estado.
O Cenário Político e a Relevância dos Debates em Pernambuco
A presença de Ivan Moraes, uma voz ativa no cenário político e social pernambucano, e de Paulo Rubem Santiago, com sua notável trajetória legislativa e de defesa dos direitos sociais, sublinha a criticidade do tema da energia para o estado. Moraes, conhecido por sua atuação combativa e progressista, busca apresentar alternativas para a economia de Pernambuco, com um forte acento no cooperativismo. Santiago, por sua vez, carrega uma história de luta em defesa das cooperativas de eletrificação, cujo legado é fundamental para entender o contexto atual. Ambos os pré-candidatos convergem na importância de debater modelos energéticos que promovam a autonomia e o desenvolvimento local, em contraponto a estruturas centralizadas e, por vezes, excludentes.
Cooperativismo de Eletrificação Rural: Um Modelo de Sucesso no Agreste
A reunião ocorreu nas instalações da Cooperativa de Eletrificação Rural do Agreste (Cerape), um pilar fundamental na infraestrutura energética da região. A Cerape, parte integrante da Federação das Cooperativas de Eletrificação Rural de Pernambuco (Fecoerpe), é um exemplo de resiliência e sucesso, celebrando seus 60 anos de história e de serviço ininterrupto às comunidades rurais. Fundada com o objetivo de levar energia elétrica a locais onde as grandes concessionárias não chegavam, ou o faziam com dificuldades, essas cooperativas tornaram-se vitais para o desenvolvimento socioeconômico das áreas mais afastadas dos centros urbanos.
O modelo cooperativista de eletrificação rural não é apenas uma forma de distribuição de energia; é um mecanismo de empoderamento comunitário. Ele permite que os próprios membros sejam donos e gestores do serviço, garantindo que as decisões sejam tomadas em benefício coletivo e que os lucros sejam reinvestidos na melhoria e expansão da rede. Em Pernambuco, a Fecoerpe, sob a presidência de Jurandir Araújo da Silva, representa um universo de 70 mil pessoas cooperadas, que dependem diretamente desses serviços para suas residências, atividades agrícolas e pequenos negócios. Esta rede capilar é um ativo estratégico para a segurança energética do interior do estado.
A Força da Energia Solar nas Comunidades Rurais
Um dos pontos centrais da discussão foi o foco da Fecoerpe na produção de energia solar. Este direcionamento não é casual; ele reflete uma tendência global e uma necessidade local de buscar fontes de energia mais limpas, renováveis e economicamente viáveis. A energia solar fotovoltaica oferece inúmeras vantagens para as comunidades rurais: reduz a dependência de fontes fósseis, diminui os custos de energia a longo prazo para os cooperados e contribui significativamente para a matriz energética sustentável do estado. Além disso, a capacidade de gerar a própria energia no local onde é consumida aumenta a resiliência energética das comunidades, minimizando interrupções e promovendo a autossuficiência.
Visões Políticas para o Desenvolvimento Econômico e Energético
Ivan Moraes e o Fortalecimento do Cooperativismo
Para Ivan Moraes, as experiências de cooperativismo, como as da Cerape e Fecoerpe, não devem apenas ser mantidas, mas intensamente fortalecidas. Sua visão se alinha à defesa de que o cooperativismo é uma das molas propulsoras para a área econômica do estado, capaz de gerar desenvolvimento local, distribuir renda de forma mais equitativa e criar modelos de negócios mais inclusivos. O fortalecimento dessas estruturas significa investir na autonomia das comunidades, na capacidade de gerir seus próprios recursos e de participar ativamente da economia, superando a lógica de grandes corporações que muitas vezes negligenciam as necessidades das populações periféricas.
Paulo Rubem Santiago: A Luta Histórica pela Sobrevivência das Cooperativas
Paulo Rubem Santiago trouxe à tona sua luta histórica em defesa das cooperativas de eletrificação. Ele relembrou sua atuação como deputado estadual, período em que travou e venceu uma importante batalha pela alteração da lei de privatização da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe). Essa legislação, em sua formulação original, previa a extinção das cooperativas de eletrificação rural, o que representaria um golpe devastador para milhares de famílias no interior do estado. A intervenção de Santiago foi crucial para garantir a continuidade e a proteção dessas instituições, assegurando que o serviço de eletrificação rural permanecesse nas mãos das comunidades. Seu testemunho ressalta a importância da vigilância política e da legislação para a preservação de modelos que beneficiam diretamente a população mais vulnerável e as regiões historicamente esquecidas.
O Impacto Regional e as Perspectivas Futuras
As discussões em Caruaru transcendem a esfera política, tocando diretamente no bem-estar e no futuro de Pernambuco. A geração de energia, especialmente por meio de fontes renováveis e modelos cooperativistas, é um pilar para o desenvolvimento sustentável. Ela impacta a produtividade agrícola, a qualidade de vida nas zonas rurais, a criação de novos empregos e a inclusão social. Ao debater o fortalecimento das cooperativas e a aposta na energia solar, Ivan Moraes e Paulo Rubem Santiago propõem um caminho para uma Pernambuco mais autônoma, equitativa e resiliente, onde as comunidades do Agreste e de outras regiões do interior têm voz ativa em suas próprias soluções energéticas.
O encontro sinaliza a importância de pautas que valorizam as particularidades regionais e os esforços locais para superar desafios. Em um momento onde o estado busca se posicionar na vanguarda da transição energética, a experiência e o potencial das cooperativas de eletrificação rural de Pernambuco representam um modelo a ser replicado e valorizado. É fundamental que essas discussões continuem a pautar o debate público, garantindo que o desenvolvimento energético do estado seja inclusivo e verdadeiramente sustentável para todos os seus cidadãos.
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Fonte: https://www.cbnrecife.com
