O Festival Pernambuco Meu País iniciou suas atividades com grande vigor na cidade de Pesqueira, no Agreste pernambucano, marcando o primeiro fim de semana de uma celebração cultural que promete revitalizar a identidade local e impulsionar a economia regional. Com uma programação eclética que abraça o rock vibrante, o ritmo envolvente do trap, a tradição do samba e a rica música popular pernambucana, o evento se estabelece como um polo de diversidade artística e social. A expectativa é de que mais de 40 mil pessoas visitem a cidade durante este período inaugural, gerando uma movimentação econômica estimada em expressivos R$ 7 milhões, evidenciando o potencial da cultura como motor de desenvolvimento para as comunidades do interior do estado.
Promovido pelo Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura (Secult), da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur), o festival é uma iniciativa estratégica para descentralizar o acesso à arte e ao entretenimento, levando grandes nomes da música e da cultura para diversas regiões. Pesqueira, com sua história rica e forte representatividade cultural, incluindo a presença do povo originário Xukuru do Ororubá, foi escolhida como palco inaugural, um reconhecimento da sua importância no cenário pernambucano.
Pesqueira: O Coração Cultural do Agreste
A escolha de Pesqueira como cidade-sede para o lançamento do Pernambuco Meu País não é acidental. O município, localizado estrategicamente no Agreste, é um caldeirão de tradições e histórias, abrigando o território dos povos originários Xukuru do Ororubá, guardiões de uma ancestralidade que permeia toda a região. A secretária em exercício de Cultura de Pernambuco, Ana Paula Jardim, ressaltou o simbolismo dessa decisão, afirmando que Pesqueira “representa com tanta força a identidade cultural do nosso Estado”. Essa identidade se manifesta não apenas nas manifestações indígenas, mas também no artesanato, na culinária e nas festividades locais, que agora ganham um palco ampliado com a chegada do festival.
Todos os shows principais, que têm entrada gratuita, acontecem no palco especialmente montado na Praça Dom José Lopes, no centro de Pesqueira, com a imponente Catedral de Santa Águeda como pano de fundo. Este local central e histórico facilita o acesso da população e de turistas, transformando a praça em um ponto de encontro vibrante e democrático, onde a cultura pulsa intensamente durante o festival.
Primeiro Fim de Semana: Uma Mosaico de Ritmos e Expressões
Sábado: Rock, Trap e a Raiz do Pífano
O sábado (18) do Festival Pernambuco Meu País foi uma verdadeira explosão de gêneros e gerações. A noite teve início às 19h30 com a emocionante apresentação do grupo de cultura popular Jetuns e Jetuins de Mandaru, que trouxe ao público o tradicional pífano do território dos povos originários Xukuru do Ororubá. Essa abertura simbolizou o compromisso do festival em valorizar e dar visibilidade às raízes culturais de Pernambuco, conectando a contemporaneidade com a ancestralidade indígena.
Na sequência, o palco principal foi tomado pelo rock nacional em suas diversas vertentes. Paulo Miklos, ícone do rock brasileiro e ex-integrante dos Titãs, trouxe sua vasta experiência e repertório, sendo seguido pela lendária banda Ave Sangria, um dos grandes nomes do rock psicodélico pernambucano dos anos 70, que continua a encantar novas plateias. Os Detonautas, com sua energia e letras contundentes, adicionaram uma dose de rock contemporâneo à noite. Para finalizar, o fenômeno do trap, Xamã, subiu ao palco, demonstrando a versatilidade do festival ao incluir um dos gêneros mais populares entre os jovens, em uma fusão perfeita de ritmos. Os intervalos foram animados pelo DJ Filipinho, mantendo o público em constante celebração.
Domingo: A Alegria Contagiante do Samba, Pagode e Axé
O domingo (19) manteve o alto astral, com apresentações a partir das 18h30, abrindo com a Troça Carnavalesca Pitombeira dos Quatro Cantos. Este grupo, um dos mais tradicionais do carnaval pernambucano, trouxe a energia e a história das festas populares, preparando o terreno para uma sequência de shows que celebrou a música brasileira em sua essência mais festiva. Marrom Brasileiro convida Nonô Germano para um encontro de talentos que ressaltou a riqueza da música local.
A festa continuou com o irreverente grupo Molejo, que com seus clássicos do pagode romântico e dançante, garantiu a animação do público. Em seguida, a energia do axé tomou conta da Praça Dom José Lopes com a chegada de Parangolê e, para fechar o fim de semana com chave de ouro, Léo Santana, um dos maiores nomes da música baiana atual, que levou o público ao delírio com seus hits e coreografias. O DJ Pedro Humberto embalou os intervalos, assegurando que a pista de dança permanecesse ativa e contagiante.
Uma Experiência Multidimensional: Além dos Palcos Principais
O Pernambuco Meu País transcende a ideia de um mero festival de música, consolidando-se como uma plataforma cultural que engloba diversas linguagens artísticas e atividades formativas. Ao longo do dia, Pesqueira se transformou em um grande palco interativo, com uma vasta programação que atendeu a todos os públicos e idades. A descentralização da cultura foi um pilar fundamental, com atividades distribuídas em diferentes “Países” temáticos.
Formação e Entretenimento para Todas as Idades
No <b>País das Brincadeiras</b>, localizado na Praça da Rosa, a Cia Brincantes de Circo apresentou o “Corpo Brincante: Vivências de Técnicas”, proporcionando interações lúdicas e educativas. Josy Vanessa encantou com a contação de histórias em “A Menina Que Não Gostava de Livros”, enquanto Davison Wescley trouxe o clássico com “Hamlet no Circo”. A Trup Errante e a Cia Moleza e Gentileza Show complementaram a programação infantil, garantindo diversão e estímulo à criatividade para os mais jovens. Estas atividades ressaltam o papel do festival na formação de novas plateias e na valorização da arte como ferramenta pedagógica.
O <b>País das Conexões Visuais</b>, sediado no Pátio da EREM Cristo Rei, ofereceu exposições de 17 a 19 de julho. A mostra “Automata” de Aline Bagre e Anthony Brito explorou a arte cinética, enquanto “Raízes do Criar – 2ª Mostra de Artesanato Indígena de Pernambuco”, do Coletivo Moingobé, celebrou a riqueza do fazer manual dos povos originários. “Rostos do Umã: juventude, identidade e permanência Atikum”, de Karla Fagundes, trouxe um olhar aprofundado sobre a identidade indígena contemporânea, promovendo a reflexão e o reconhecimento cultural.
Na Praça da Rosa, em frente à Prefeitura, o <b>País das Culturas Populares</b> destacou a autenticidade das manifestações locais. O Grupo Cultural Nordeste Independente, Mestre Pirrila e Samba de Coco Origens do Ororubá, e Mestre Alberone Rabequeiro apresentaram o melhor da música e dança tradicionais, mostrando a força e a resiliência das culturas populares pernambucanas. Essas apresentações são vitais para a manutenção e difusão do patrimônio imaterial do estado.
O <b>País das Conexões Criativas</b>, na Calçada da Câmara Municipal, promoveu a inovação através da moda e do artesanato. Adelmo Lins, com a intervenção “Recorte Coletivo”, e a Associação de Artesãos Nossa Senhora das Graças, com o desfile “Cheia de Graça”, demonstraram como a criatividade local pode gerar oportunidades e valorizar o trabalho dos artesãos, conectando cultura e empreendedorismo.
O <b>País da Música</b> e o <b>País da Música Instrumental</b>, em diferentes pontos da cidade, complementaram a oferta musical. No primeiro, em frente à Prefeitura, Banda Cascabulho e Cristina Amaral levaram ao público ritmos regionais. Já na Paróquia Imaculada Conceição, o Duo Muniz Rodrigues apresentou a sutileza e a técnica da música instrumental, expandindo os horizontes sonoros do festival. O <b>País das Artes Cênicas</b>, na Praça da Rosa, contou com o Grupo Experimental e suas “Pontilhados: intervenções humanas em ambientes urbanos”, transformando espaços públicos em palcos espontâneos.
A Caravana Pernambuco Meu País: Levando a Cultura Além do Centro
Demonstrando um compromisso com a inclusão e a democratização cultural, a <b>Caravana Pernambuco Meu País</b> promoveu atividades descentralizadas, alcançando o Distrito Vila de Cimbres. Com apresentadores como Mateus e Katilinda, e a participação do Mestre Josivaldo Caboclo, a caravana levou shows e atividades como o “Cinema de Brincar”, garantindo que os benefícios do festival chegassem a comunidades mais distantes, fortalecendo os laços culturais em todo o território. Essa iniciativa reforça a missão do evento de ser verdadeiramente um festival de Pernambuco para Pernambuco.
Impacto Duradouro: Cultura, Economia e Identidade
A estimativa de atrair mais de 40 mil pessoas e movimentar R$ 7 milhões na economia local não é apenas um número, mas um reflexo direto do impacto transformador de eventos dessa magnitude. A chegada de visitantes estimula o comércio local, desde pequenos empreendedores e artesãos até a rede hoteleira e gastronômica, gerando empregos diretos e indiretos e impulsionando a cadeia produtiva regional. Além do benefício econômico tangível, o festival fortalece a autoestima da comunidade, valoriza seus artistas e tradições, e posiciona Pesqueira como um destino cultural relevante em Pernambuco e no Nordeste.
O Pernambuco Meu País, ao abraçar a diversidade de gêneros musicais, as culturas populares, as artes visuais e cênicas, e ao se estender a comunidades rurais, materializa a visão de um estado que reconhece a cultura como um direito fundamental e um poderoso vetor de desenvolvimento humano e econômico. A riqueza da programação inaugural em Pesqueira é um testemunho do sucesso e da relevância desta iniciativa, que promete deixar um legado duradouro de valorização cultural e prosperidade para a região.
O primeiro fim de semana do Festival Pernambuco Meu País em Pesqueira demonstrou, portanto, a força da união entre tradição e modernidade, entre a cultura local e as tendências globais, tudo sob o manto da acessibilidade e da celebração coletiva. Este evento não apenas entretém, mas educa, conecta e empodera, solidificando o papel da cultura como pilar essencial para o progresso e a identidade de Pernambuco. Para aprofundar-se em mais notícias sobre cultura, desenvolvimento regional e as vozes que pulsam nas periferias e no interior do nosso país, continue navegando pelo Periferia Conectada e mantenha-se informado sobre as iniciativas que transformam realidades.
Fonte: https://jc.uol.com.br
