Vereadora Fernanda Louback alega descontextualização de fatos após críticas a homenagem a Ludmilla

"Impressionante que hoje parece que é crime no Brasil você ser branco", disse a vereadora sobre...

A vereadora Fernanda Louback (PL) veio a público nesta quarta-feira (4) para contestar a narrativa em torno dos eventos ocorridos na sessão da Câmara Municipal de Niterói. A controvérsia surgiu após a aprovação do título de cidadã niteroiense para a renomada cantora Ludmilla, um processo que culminou em um intenso bate-boca no plenário e declarações da parlamentar que geraram grande repercussão. Louback, em sua defesa, alegou que os fatos estavam sendo divulgados de maneira ‘parcial e descontextualizada’.

O Estopim da Controvérsia: A Homenagem a Ludmilla

O ponto central do embate se deu durante a sessão de votação do projeto, na terça-feira (3), de autoria da vereadora Benny Briolly (PSOL). Com a aprovação por 8 votos a 6, em um clima de visível tensão, o plenário se tornou palco para declarações incisivas de Fernanda Louback. Da tribuna, a vereadora proferiu frases como: 'Impressionante que hoje parece que é crime no Brasil você ser branco. Vocês me desculpem por ter nascido… Inclusive, o meu avô materno é negro, e o outro de família alemã. Uma mistura danada'. Tais falas, em um contexto de homenagem a uma artista afro-brasileira, geraram imediato desconforto.

Adicionalmente, Louback fez uma referência direta à aparência da colega: 'Sabe o que é engraçado? Defende tanto o povo negro, e olha a cor do cabelo, hoje', em menção ao cabelo de Benny. O teor dessas declarações elevou a temperatura do debate, provocando trocas de acusações e levando a intervenções de outros parlamentares e assessores para evitar uma escalada da discussão, que culminou no encerramento da sessão logo em seguida.

A Versão de Fernanda Louback e as Acusações de Desrespeito

Em nota divulgada após a repercussão negativa, a vereadora Louback apresentou sua perspectiva dos fatos, acusando a colega Benny Briolly de comportamentos inadequados. Segundo ela, durante seu ‘tempo regimental de fala’, Benny teria realizado ‘gestos de deboche’ e gravações no plenário, além de manifestações consideradas provocativas. Louback enfatizou: 'Há registros em vídeo que mostram a vereadora realizando gravações no plenário, fazendo gestos de deboche e se manifestando de forma provocativa enquanto eu estava na tribuna'. A vereadora do PL alegou, ainda, que outros parlamentares teriam alertado sobre a falta de respeito à oradora.

As acusações prosseguem com Louback afirmando que Benny teria passado à sua frente enquanto discursava e proferido a expressão ofensiva ‘latindo’, além de fazer gestos insinuando que a colega ‘fala demais’, mesmo após um pedido de respeito. Louback sustenta que ‘Tais condutas extrapolam os limites do debate político e configuram comportamento incompatível com o respeito institucional que deve existir entre parlamentares’. Ela reafirmou que seu posicionamento original era ‘estritamente político e legislativo’, no âmbito da discussão sobre o cumprimento da legislação municipal, e que o Parlamento deve ser um espaço de ‘debate democrático, mas também de respeito institucional entre os representantes eleitos pelo povo’.

Medidas Disciplinares: Representação ao Código de Ética

Como desdobramento direto da contenda, Fernanda Louback informou a apresentação de uma representação formal para apuração da conduta de sua adversária política. Este procedimento baseia-se em uma resolução que dispõe sobre o Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Niterói. O Código de Ética é um conjunto de normas que visa garantir a conduta exemplar dos vereadores, a urbanidade nas discussões e a manutenção do respeito mútuo e da integridade da instituição legislativa. Ao acionar essa ferramenta, Louback eleva a discussão para o plano das regras internas da casa, buscando que as ações de Benny Briolly sejam avaliadas sob o prisma da conduta parlamentar adequada.

O Cenário Precedente: Lei 'Anti-Oruam' e o 'Pânico Moral'

Para entender a profundidade do conflito, é essencial revisitar o histórico de críticas de Louback à cantora Ludmilla. Semanas antes da homenagem, a vereadora e outros membros do PL questionaram veementemente o show de Réveillon de Ludmilla na Praia de Icaraí. A principal crítica centrava-se na execução da música ‘Verdinha’, lançada em 2019, que, segundo a interpretação de Louback e seus aliados, faria referência explícita ao consumo de maconha. Esta controvérsia ganhou um novo contorno com a recente sanção da Lei Municipal 4.097/2025, popularmente apelidada de ‘Lei Anti-Oruam’. Esta legislação, de autoria da própria Fernanda Louback, proíbe o uso de recursos públicos para a contratação ou divulgação de espetáculos abertos a crianças e adolescentes que façam apologia ao crime ou às drogas. Louback sustentou que a apresentação de Ludmilla no Réveillon poderia ter descumprido a nova norma.

No contraponto, a vereadora Benny Briolly, já à época do show, defendeu a cantora, criticando o que chamou de ‘pânico moral’ e ‘tentativa de criminalização de expressões culturais das periferias’. Essa perspectiva amplia o debate para além da mera aplicação da lei, inserindo-o em discussões sobre identidade, representatividade e liberdade artística versus valores sociais conservadores, refletindo uma polarização cultural significativa.

Reflexões sobre Decoro Parlamentar e a Pluralidade de Vozes

O incidente na Câmara de Niterói é um microcosmo das tensões sociais e políticas que perpassam o Brasil. As declarações de Louback, especialmente sobre raça e a aparência de Briolly, ampliam o debate para questões sensíveis de representatividade e combate ao preconceito no ambiente político. O episódio ressalta o desafio de se manter o decoro e o respeito institucional em um cenário polarizado, onde a cultura e a identidade das periferias são frequentemente alvo de julgamento. A condução da representação ética não apenas avaliará a conduta individual, mas também poderá moldar precedentes para a convivência e o debate plural no legislativo municipal.

Este episódio na Câmara de Niterói é um microcosmo das tensões sociais e políticas que permeiam o Brasil, onde o debate sobre cultura, identidade e legislação se cruza com a dinâmica parlamentar e o respeito mútuo. A complexidade dos fatos e a diversidade de interpretações exigem uma análise cuidadosa e informada. Para aprofundar sua compreensão sobre os desdobramentos deste caso, outras notícias relevantes sobre política local e o impacto das expressões culturais das periferias, continue navegando no Periferia Conectada. Mantenha-se informado e participe desta conversa vital para a nossa sociedade.

Fonte: https://www.folhape.com.br

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