A Conferência Ibero-Brasileira de Energia (Coniben) consolidou-se ao longo dos anos como um dos mais relevantes fóruns de debate sobre o planejamento estratégico da segurança energética. Com uma abrangência que conecta o Brasil, Portugal e a Espanha, a Coniben tem sido um pilar na discussão de políticas e tendências que afetam o setor, reunindo mentes brilhantes e lideranças para construir o futuro energético da região e, por extensão, do mundo.

Para sua edição de 2026, a Coniben elevará o nível do debate ao focar em um tema de impacto global: <strong>"Mudanças Globais na Geopolítica e na Geoeconomia e seus Impactos no Setor de Energia"</strong>. Agendado para os dias 3 e 4 de dezembro em Lisboa, o encontro reunirá cerca de 150 líderes e executivos do setor, com o objetivo de decifrar as complexas interações entre os cenários políticos e econômicos mundiais e o suprimento energético. Este foco reflete a urgência em compreender como eventos globais estão reconfigurando as prioridades e desafios energéticos em escala internacional.

Cenários Globais de Energia: Geopolítica e Geoeconomia em Transformação

A agenda da Coniben 2026 foi cuidadosamente elaborada para abordar os pontos críticos que definem a atual dinâmica energética. Um dos eixos centrais é a <strong>reconfiguração das grandes potências globais</strong>, que implica em uma redefinição de alianças, novas rotas comerciais e uma competição acirrada por recursos e tecnologias. Este cenário impulsiona <strong>estratégias para disputas energéticas</strong>, onde o acesso a fontes, o controle de infraestruturas críticas e a primazia tecnológica tornam-se elementos cruciais para a hegemonia econômica e política.

Concomitantemente, a <strong>instabilidade geopolítica e os conflitos</strong> em diversas regiões do planeta exercem uma pressão sem precedentes sobre os mercados energéticos, desestabilizando cadeias de suprimento e elevando preços. Paralelamente, a <strong>pressão climática</strong>, com a crescente urgência da descarbonização, colide frequentemente com as <strong>realidades econômicas</strong> de países que dependem de combustíveis fósseis ou que enfrentam desafios na transição. O professor e consultor Reive Barros, coordenador técnico do Coniben, enfatiza que o temário de 2026 é uma resposta direta a uma série de eventos e decisões de escala mundial que redesenharam o setor elétrico globalmente, incluindo a eclosão de conflitos que tiveram profundos efeitos na segurança energética internacional.

O Papel Rejuvenescido do Estado na Indução Energética

Um ponto de destaque nos debates será o <strong>retorno do Estado como ator de indução de desenvolvimento</strong>. Após décadas de tendências de liberalização, observa-se uma crescente intervenção governamental através de <strong>incentivos fiscais, subsídios e barreiras comerciais</strong>, que agora moldam significativamente o mercado de energia. Essa abordagem reflete a necessidade dos países de garantir sua segurança energética, promover a inovação local e direcionar a transição para fontes mais limpas, mesmo que isso implique em distorções de mercado ou na proteção de indústrias estratégicas.

Neste contexto, a Coniben 2026 lançará luz sobre a energia como <strong>infraestrutura crítica</strong>, um conceito que eleva sua importância de um mero bem econômico para um pilar fundamental da segurança nacional e da estabilidade social. O novo cenário geopolítico global, marcado por incertezas e competição, exige uma visão estratégica que transcenda a lógica de mercado e que posicione a energia no centro das preocupações de defesa e desenvolvimento de cada nação, levando à reflexão sobre a necessidade de maior controle e planejamento estatal.

Planejamento Estratégico para Autossuficiência e Transição Energética

A busca pela <strong>autossuficiência energética dos países</strong> será um dos pilares do planejamento de médio e longo prazo discutido na conferência. Este conceito, que vai além da mera produção interna para englobar a diversificação de fontes e a resiliência das cadeias de suprimento, é visto como essencial em um mundo onde a dependência externa pode ser uma vulnerabilidade estratégica. Segundo Reive Barros, a agenda de 2026 abordará a necessidade de uma <strong>nova gestão da oferta e da demanda de energia</strong>, impulsionada pela crescente volatilidade dos mercados e pela intermitência das fontes renováveis.

Para alcançar esses objetivos, a Coniben explorará a <strong>expansão das fontes renováveis</strong> – como solar, eólica e hídrica – e os desafios inerentes à sua integração em larga escala. Isso exige não apenas investimentos robustos, mas também a <strong>expansão e modernização da infraestrutura</strong> de transmissão e distribuição. A capacidade de uma rede elétrica de suportar uma maior penetração de energia limpa, garantir a estabilidade do sistema e assegurar o fornecimento ininterrupto é crucial para o sucesso da transição energética e para a segurança dos países.

Resiliência, Governança e a Relevância do Marco Regulatório

A <strong>resiliência e adaptação climática na produção de energia</strong> ganham destaque, pois o setor é particularmente vulnerável aos efeitos das mudanças climáticas, desde secas que afetam hidrelétricas até eventos extremos que danificam infraestruturas. As discussões se aprofundarão em <strong>governança e políticas integradas</strong>, enfatizando a importância de alinhar políticas energéticas, climáticas e econômicas para garantir uma transição justa e eficaz. Barros ressalta que a realidade atual é drasticamente diferente de poucos anos atrás, exigindo que o setor, tradicionalmente com horizontes decenais, se adapte rapidamente.

No painel de Aspectos Regulatórios, o Coniben focará na <strong>estabilidade jurídica, regulatória e na previsibilidade das regras</strong>, elementos essenciais para atrair e manter investimentos de longo prazo. Serão debatidos a <strong>agenda regulatória no curto e médio prazo</strong>, a <strong>inovação tecnológica</strong> e a <strong>modernização do modelo de mercado</strong>, adaptando-o às novas realidades de geração distribuída, armazenamento e digitalização. A conferência também explorará as regras para a <strong>transição energética e descarbonização</strong>, além da importância dos <strong>leilões de geração e transmissão</strong> como mecanismos de fomento à expansão do setor.

Desafios Operacionais e o Horizonte Tecnológico da Energia

Um dos painéis cruciais, "Operação de Sistemas Elétricos com Alta Penetração de Renováveis", abordará a questão do <strong>"curtailment"</strong> – a necessidade de reduzir a produção de energia renovável devido a restrições de rede ou excesso de oferta. Esta é uma preocupação crescente em sistemas com alta participação de solar, eólica e armazenamento, como o Brasil, especialmente no Nordeste. Serão analisadas as ocorrências de grande porte com impacto sistêmico, suas causas e as principais medidas adotadas para mitigar problemas, visando a garantir a segurança e a confiabilidade do sistema elétrico.

Reive Barros também chama a atenção para o desafio do <strong>armazenamento de energia</strong> no Brasil, destacando a chegada e a importância dos sistemas BESS (Battery Energy Storage Systems). Esses sistemas são vitais para armazenar, gerenciar e distribuir energia de forma eficiente e sustentável, com aplicações que vão do comércio e indústria ao agronegócio, sistemas isolados e geração distribuída, oferecendo flexibilidade e resiliência à rede. A discussão sobre o BESS promete ser aprofundada, dada sua capacidade de resolver a intermitência das renováveis e otimizar o uso da energia.

A Demanda Crescente dos Data Centers e a Inteligência Artificial

A Coniben reservou um painel específico para debater <strong>Data Centers e Inteligência Artificial</strong>, reconhecendo o imenso impacto dessas tecnologias na demanda por energia. A instalação de data centers sustentáveis exige uma análise profunda de <strong>localização estratégica, energia limpa e eficiente e sistemas de refrigeração inteligente</strong>. As necessidades energéticas desses centros de dados, que sequer eram consideradas prioridade há poucos anos, agora impõem desafios complexos e urgentes ao setor elétrico, demandando novas soluções e investimentos significativos. A inteligência artificial, por sua vez, não só consome energia, mas também pode ser uma ferramenta poderosa para otimizar a gestão de redes, prever demandas e integrar eficientemente as fontes renováveis, moldando o futuro da infraestrutura energética.

A Coniben 2026, com sua agenda abrangente e focada nas transformações globais, reafirma seu papel como bússola para o futuro energético. Ao discutir temas tão cruciais como a geopolítica da energia, a resiliência climática e as inovações tecnológicas, a conferência prepara o terreno para decisões estratégicas que impactarão a vida de milhões de pessoas. Fique atento às futuras coberturas do Periferia Conectada, onde continuaremos a explorar esses debates essenciais para entender e navegar pelo complexo cenário da energia global. <strong>Não perca as próximas análises e aprofundamentos em nosso portal!</strong>

Fonte: https://jc.uol.com.br

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