A região do Semiárido brasileiro, berço de resiliência e produtividade, foi palco de um impasse que ameaçava a subsistência de milhares de famílias e a vitalidade econômica de importantes municípios. No epicentro dessa questão estava o Sistema Itaparica, uma estrutura crucial para a agricultura irrigada no Sertão de Pernambuco e da Bahia, que enfrentava a interrupção no fornecimento de energia elétrica. Contudo, após intensas articulações políticas e institucionais em Brasília, o deputado federal Fernando Monteiro (PSD) confirmou a tão aguardada religação da energia elétrica nos projetos irrigados da região, um alívio imediato que trouxe de volta a esperança e a capacidade produtiva a uma das áreas mais estratégicas para a economia agrícola do Nordeste.
A retomada do serviço, que se efetivou na tarde do último sábado (16), transcende a mera restauração de um serviço público; ela representa a garantia da continuidade de uma das principais engrenagens responsáveis pela produção de alimentos e pela geração de renda em uma vasta área do interior nordestino. A ausência de energia, em um sistema dependente de bombeamento e maquinário elétrico, significava a paralisação completa das atividades, com o risco iminente de perdas incalculáveis de safras e o comprometimento da segurança alimentar e financeira de comunidades inteiras.
A Mobilização Política e a Força do Diálogo
Fernando Monteiro destacou que a religação da energia foi o resultado de uma série de encontros estratégicos com altas figuras do Governo Federal e lideranças diretamente envolvidas com os perímetros irrigados. Essa mobilização em diversas esferas do poder público demonstra a complexidade da questão e a necessidade de uma abordagem coordenada para sua resolução. As articulações não se limitaram a expressar a urgência da situação, mas buscaram construir pontes para soluções práticas e sustentáveis, evidenciando o papel fundamental da representação política na defesa dos interesses regionais.
Para o parlamentar, a reconexão é um bálsamo para as milhares de famílias que veem na agricultura irrigada não apenas uma fonte de sustento, mas o alicerce de suas vidas e tradições. No entanto, Monteiro fez questão de ressaltar que o trabalho está longe de ser concluído. A urgência imediata foi atendida, mas a busca por uma solução definitiva, que elimine a possibilidade de novos cortes de energia, permanece como prioridade em sua agenda. Essa visão de longo prazo é crucial para a estabilidade e o planejamento dos agricultores, que necessitam de previsibilidade para investir e produzir com segurança.
A gravidade do problema foi eloquentemente resumida pelo deputado: “Quem conhece o Sertão sabe que, quando falta energia em um sistema como esse, não para apenas a água. Para a produção, a economia e a esperança de muita gente. Seguiremos trabalhando para garantir estabilidade e segurança aos agricultores do Sistema Itaparica”. Essa afirmação sublinha a interconexão profunda entre a infraestrutura energética e os múltiplos aspectos da vida no semiárido, desde a produção de alimentos até a manutenção do tecido social e das expectativas de futuro.
Protagonistas na Mesa de Negociações
As negociações que culminaram na religação envolveram ministros-chave e o presidente de uma das mais importantes companhias de desenvolvimento regional do país. Fernando Monteiro esteve reunido com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, cuja pasta é diretamente responsável pela política energética nacional; com o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, fundamental para as políticas de desenvolvimento regional, incluindo a gestão hídrica e os perímetros irrigados; e com Lucas Oliveira, presidente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).
A Codevasf, com sua expertise e abrangência de atuação na Bacia do Rio São Francisco, desempenha um papel estratégico na gestão e manutenção de infraestruturas como o Sistema Itaparica. A discussão com essas autoridades não se restringiu à religação emergencial, mas aprofundou-se na busca por alternativas que assegurem o funcionamento contínuo e sustentável dos perímetros irrigados, evitando que crises semelhantes se repitam. Essa abordagem integrada e de alto nível foi essencial para destravar o impasse e garantir uma resposta eficaz.
A Voz da Comunidade e o Apoio Parlamentar Unificado
A mobilização contou com o respaldo e o engajamento de líderes comunitários, como o padre Luciano Aguiar, uma figura de proa na defesa dos interesses do Sistema Itaparica. Ele corroborou a importância da atuação do deputado pernambucano nas articulações em Brasília, destacando: “Fernando Monteiro foi essencial nas reuniões com a Codevasf e os ministérios. Sempre respondeu aos nossos apelos e se comprometeu com a luta dos agricultores familiares do Sistema Itaparica”. Esse testemunho reforça a percepção de que a ação política efetiva é aquela que ecoa as demandas legítimas da população e transforma a escuta em resultados concretos.
A abrangência do problema, que afeta tanto Pernambuco quanto a Bahia, também motivou uma ação conjunta de parlamentares. O deputado baiano Mário Negromonte Júnior (PP) uniu forças com Fernando Monteiro, atuando em defesa das áreas irrigadas localizadas no lado baiano do sistema. Essa colaboração bipartidária e interestadual é um exemplo da capacidade de articulação política quando os interesses regionais se sobrepõem a possíveis divergências ideológicas. Ambos os parlamentares já haviam demonstrado seu compromisso ao destinar emendas parlamentares, um mecanismo que visa minimizar os impactos provocados pelos sucessivos impasses relacionados ao custeio da energia elétrica nos projetos.
O Sistema Itaparica: Pilar do Desenvolvimento Rural no Semiárido
O Sistema Itaparica é mais do que um conjunto de canais e bombas; ele é um ecossistema socioeconômico que sustenta milhares de famílias, transforma a paisagem árida em campos férteis e impulsiona a economia de diversos municípios sertanejos. A agricultura irrigada é, para essas comunidades, a principal fonte de renda e de geração de empregos. A interrupção do fornecimento de energia, portanto, não é apenas um problema técnico, mas uma ameaça direta à produção agrícola, ao abastecimento hídrico essencial em uma região naturalmente seca, e à estabilidade econômica e social de todo o entorno.
A capacidade de irrigar terras no semiárido permite o cultivo de uma variedade de culturas, desde frutas tropicais até grãos e hortaliças, que não apenas abastecem o mercado interno, mas muitas vezes também chegam a mercados internacionais. Esse potencial produtivo, contudo, é intrinsecamente ligado à disponibilidade contínua e acessível de energia, que move as bombas d'água e garante o ciclo de produção. Proteger o Sistema Itaparica significa proteger um modelo de desenvolvimento que provou ser viável e essencial para a mitigação da pobreza e o fortalecimento das cadeias produtivas locais.
PL 2113/2024: Uma Solução Estrutural em Busca de Estabilidade Duradoura
Reconhecendo que a religação é uma medida paliativa e que a raiz do problema reside na instabilidade do custeio energético, Fernando Monteiro é autor do Projeto de Lei 2113/2024. Este PL busca uma solução de caráter permanente, propondo a inclusão na legislação da previsão de utilização otimizada de um montante energético de 85 megawatts médios, pelo prazo de 20 anos. Essa medida se destina especificamente à operação e manutenção das infraestruturas de projetos públicos de irrigação situados no âmbito da Bacia do Rio São Francisco.
A proposta do PL 2113/2024 é crucial porque visa garantir previsibilidade e estabilidade no fornecimento e no custo da energia para os perímetros irrigados. Ao assegurar um volume específico de energia por um período prolongado, o projeto busca blindar esses sistemas contra as flutuações do mercado e os impasses burocráticos que frequentemente resultam em cortes de serviço. Tal iniciativa representa um avanço significativo em direção a uma gestão mais segura e planejada dos recursos hídricos e energéticos, permitindo que os agricultores familiares e os grandes produtores rurais do Sistema Itaparica e de outras áreas da bacia trabalhem com a segurança necessária para prosperar.
A aprovação deste projeto de lei significaria um marco na política de desenvolvimento rural do Brasil, oferecendo um horizonte de estabilidade que pode transformar a realidade do semiárido, consolidando a agricultura irrigada como um motor de crescimento econômico e inclusão social. A luta pela energia no Sistema Itaparica, portanto, é um microcosmo de um desafio maior: o de assegurar que as infraestruturas vitais sejam sustentadas por políticas públicas robustas e duradouras, garantindo o direito à produção e ao desenvolvimento para as comunidades mais vulneráveis.
A religação da energia no Sistema Itaparica, articulada pelo deputado Fernando Monteiro, representa uma vitória imediata para os produtores rurais do Sertão, restaurando a capacidade produtiva e aliviando a incerteza que pairava sobre milhares de famílias. Contudo, o caminho para a estabilidade plena passa pela concretização de soluções estruturais, como o Projeto de Lei 2113/2024, que promete um futuro mais seguro para a agricultura irrigada na Bacia do São Francisco. Continue navegando no Periferia Conectada para acompanhar o desdobramento dessas e de outras notícias que impactam diretamente a vida das comunidades em nosso país, com análises aprofundadas e um jornalismo que valoriza a informação e o engajamento cívico.
Fonte: https://www.folhape.com.br
