O Marco Zero do Recife, epicentro cultural e histórico da capital pernambucana, prepara-se para sediar um evento de profunda relevância espiritual e social: o <b>II Encontro dos Pretos Velhos</b>. Marcado para 2 de maio, às 16h, esta celebração, promovida pela Casa de São Lázaro e aberta a toda a população, destaca a importância das religiões afro-brasileiras. O encontro simboliza o período sagrado dedicado, especialmente na Umbanda, à exaltação das figuras dos Pretos e Pretas Velhos, espíritos venerados por sua sabedoria, resiliência e profundo conhecimento da vida. Ele representa um chamado à união e ao respeito, acolhendo membros das comunidades umbandistas da Região Metropolitana do Recife e promovendo o diálogo inter-religioso, combatendo a intolerância e o racismo estrutural.

Pretos Velhos: Sabedoria Ancestral e Coluna da Umbanda

Na Umbanda, os Pretos e Pretas Velhos são mais que entidades; são pilares de sabedoria, paciência e humildade. Representando a ancestralidade negra, eles encarnam a memória viva de gerações de escravizados e seus descendentes que, apesar das agruras e da violência do sistema escravocrata, mantiveram sua fé, sua cultura e sua inabalável capacidade de amar e perdoar. Sua atuação espiritual é marcada por conselhos profundos, acolhimento incondicional e práticas de benzimento, oferecendo cura, proteção e alívio das aflições humanas. Ensinam sobre superação, gratidão e a força da fé diante das adversidades, sendo guias essenciais na jornada espiritual.

O mês de maio ressoa profundamente com esta celebração, dedicando-se a essas entidades. A data de 13 de maio, oficialmente o Dia dos Pretos Velhos, não é aleatória; ela coincide com o dia da abolição da escravatura no Brasil, em 1888. Para os praticantes das religiões afro-brasileiras, contudo, o 13 de maio é um momento de profunda reflexão sobre a complexidade da pós-abolição, a persistência do racismo e a vital contribuição da população negra para a formação da identidade, cultura e espiritualidade brasileiras. Os Pretos Velhos, assim, personificam a resistência e a resiliência que ecoam até os dias de hoje, conectando o passado de luta com o presente de fé.

Fé, Tradição e Visibilidade: A Programação Detalhada do Evento

A programação do II Encontro dos Pretos Velhos foi cuidadosamente elaborada para proporcionar uma experiência espiritual rica e comunitária. Inclui cânticos sagrados, que são invocações e orações que conectam os presentes com o plano espiritual e as energias ancestrais, e a partilha de histórias, onde a oralidade, tão valorizada nas culturas africanas, fortalece a memória coletiva e os laços comunitários. Um dos pontos altos será a caminhada pelas ruas históricas do Recife Antigo, um cortejo que simboliza a ocupação do espaço público por uma fé muitas vezes marginalizada, afirmando a presença e o direito de manifestação das religiões de matriz africana. Este ato de visibilidade e respeito à ancestralidade culminará em um benzimento coletivo, prática milenar de cura e proteção espiritual. Os participantes são convidados a vestir roupas brancas, simbolizando paz, pureza e prontidão espiritual.

Diálogo Inter-Religioso e o Combate à Intolerância Religiosa

Sob a liderança de <b>Mãe Adriana B.</b>, dirigente da Casa de São Lázaro e presidente do Fórum Nacional de Umbanda, o encontro transcende a esfera puramente religiosa para se afirmar como um poderoso ato de cidadania. "Ocupar nosso lugar na sociedade é uma das principais formas de enfrentar o preconceito religioso e racial. Nossa celebração tem papel importante no fortalecimento de uma cultura de paz, amor e respeito mútuo", destaca. Essa afirmação sublinha a importância da autoafirmação e da visibilidade como ferramentas essenciais na luta contra a intolerância que ainda assola as religiões afro-brasileiras, manifestada em ataques a templos, discriminação e desinformação.

O convite estendido a representantes de diversas outras crenças – incluindo católicos, budistas, kardecistas e evangélicos – é um passo fundamental para a construção de uma sociedade mais inclusiva. Essa abertura ao diálogo inter-religioso não apenas desmistifica preconceitos, mas também promove a compreensão de que, apesar das diferenças teológicas, as religiões podem coexistir pacificamente e contribuir para o bem-estar social, fortalecendo os laços de humanidade e solidariedade entre os povos, mostrando que a fé pode ser um catalisador para a união.

Inovação a Serviço da Tradição: O Lançamento do Aplicativo 'No Axé Tem'

Unindo tradição e modernidade, o II Encontro dos Pretos Velhos também será palco para a divulgação do inovador aplicativo <b>"No Axé Tem"</b>. Com lançamento previsto para o significativo dia 13 de maio, esta plataforma digital promete revolucionar a conexão das comunidades de axé. Gratuito e disponível para sistemas Android e iOS, o app visa centralizar informações cruciais, garantindo maior visibilidade e acessibilidade para praticantes e interessados nas religiões de matriz africana.

As funcionalidades do "No Axé Tem" incluem a localização facilitada de terreiros, facilitando o acesso de novos membros e visitantes. Além disso, oferecerá oportunidades de voluntariado, incentivando a participação ativa e o engajamento comunitário. Um aspecto inovador é a possibilidade de contratação de serviços ligados à tradição religiosa, gerando economia solidária e sustentabilidade para os templos e seus membros. Este aplicativo representa um avanço significativo, adaptando as religiões afro-brasileiras à era digital sem perder a essência de sua ancestralidade e espiritualidade, modernizando a comunicação e o acesso à cultura e fé.

O <b>II Encontro dos Pretos Velhos no Marco Zero do Recife</b> é, assim, um manifesto poderoso de fé, resistência, cultura e diálogo. Ao celebrar a sabedoria e a resiliência dos Pretos Velhos, a Casa de São Lázaro e o Fórum Nacional de Umbanda promovem a valorização da ancestralidade negra e combatem ativamente o preconceito. Este evento, que culmina com a inovação do aplicativo 'No Axé Tem', convida a todos a se unirem em uma jornada de respeito, aprendizado e construção de um futuro mais inclusivo para o Brasil. Não perca a oportunidade de participar e testemunhar a força da fé e da união. Para se aprofundar em temas como cultura, religião e justiça social nas periferias, continue navegando pelo Periferia Conectada e descubra mais histórias inspiradoras e análises aprofundadas.

Fonte: https://jc.uol.com.br

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