Em um cenário de crescente debate sobre as estratégias de segurança pública em Pernambuco, o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, veio a público para rebater as críticas em torno da alocação dos recém-formados policiais militares, carinhosamente apelidados de 'laranjinhas'. Em entrevista concedida à Rádio Folha 96,7 FM, na manhã desta segunda-feira (6), Carvalho fez uma defesa veemente da política de segurança adotada pela gestão da governadora Raquel Lyra (PSD), destacando os avanços e a metodologia empregada na distribuição do efetivo pelo estado. A discussão central gira em torno da percepção sobre onde esses novos agentes estão realmente atuando e qual o impacto real nas diferentes regiões, especialmente nas periferias, que muitas vezes sofrem com a carência de policiamento.
O Debate Sobre a Distribuição do Efetivo Policial
A fala do secretário Alessandro Carvalho surge como uma resposta direta às acusações feitas pelo pré-candidato ao governo, João Campos (PSB). O ex-prefeito do Recife tem levantado a questão da suposta concentração dos novos policiais em bairros de maior poder aquisitivo, deixando as periferias da capital e o interior do estado com uma presença policial aquém do necessário. Essa crítica, que ressoa em discursos políticos e na percepção de parte da população, levanta um ponto crucial sobre a equidade no acesso à segurança pública, um direito fundamental para todos os cidadãos, independentemente de sua localização geográfica ou condição socioeconômica. A implicação de uma distribuição desigual é que áreas já historicamente vulneráveis poderiam continuar desassistidas, perpetuando ciclos de violência e insegurança.
Alessandro Carvalho não poupou palavras ao refutar as alegações, sugerindo que aqueles que fazem tais críticas deveriam 'andar mais nas periferias' para constatar a realidade. Ele enfatizou que a distribuição do efetivo não se deu por critérios políticos ou sociais, mas sim por uma análise técnica aprofundada. Segundo o secretário, as 14 cidades da região metropolitana do Recife, juntamente com a capital, foram as principais beneficiadas por receberem o maior contingente, justamente por apresentarem a maior defasagem histórica de policiais. Essa defasagem, explicou Carvalho, remonta a setembro de 2023, quando o estado contava com 2.200 policiais a menos em comparação com 2013, uma lacuna atribuída à ausência de concursos públicos na gestão anterior. Essa metodologia técnica busca alocar recursos onde a necessidade é mais premente, visando otimizar a segurança para o maior número de cidadãos.
Pernambuco e o Novo Capítulo na Segurança Pública
A administração estadual, por meio de seu secretário, tem defendido que Pernambuco está vivenciando um período de significativas melhorias na segurança pública. Um dos pilares dessa alegação é o número recorde de novos soldados contratados via concurso público, que totaliza sete mil. Essa marca histórica representa o maior contingente de novos policiais a ingressar nas forças de segurança do estado, um investimento substancial que visa não apenas repor o quadro deficitário, mas também ampliar a capacidade de policiamento e resposta em todas as regiões. O aumento do efetivo é fundamental para a implementação de novas estratégias, o fortalecimento da presença ostensiva e a investigação criminal, impactando diretamente na percepção de segurança da população e na capacidade do Estado de fazer valer a lei.
A entrada desses 7.000 'laranjinhas' representa um esforço para reverter um cenário de desfalque que perdurou por anos. A reposição e ampliação do efetivo policial são cruciais para a manutenção da ordem, o combate à criminalidade e a prevenção de delitos. Além do número absoluto, a distribuição estratégica desses profissionais, baseada em dados técnicos de criminalidade, densidade populacional e necessidade histórica de policiamento, é o que, na visão do secretário, garante que o investimento se traduza em resultados efetivos para a população, incluindo as áreas mais vulneráveis que, historicamente, são as mais afetadas pela violência e pela ausência do poder público. Este reforço permite uma maior capilaridade da polícia, possibilitando operações mais abrangentes e uma maior proximidade com a comunidade.
Investimentos e Entregas em Período de Defeso Eleitoral
Mesmo com a proximidade das eleições e o início do chamado 'defeso eleitoral', um período em que atividades institucionais de políticos com mandato e que disputarão o pleito ficam mais restritas, o secretário Alessandro Carvalho garantiu a continuidade das entregas e investimentos para as forças de segurança. Este período, que antecede a campanha eleitoral, impõe limites à exposição de agentes públicos em inaugurações e eventos que possam configurar promoção pessoal, mas não impede a execução de políticas públicas essenciais para o funcionamento do estado, assegurando que a máquina pública continue a servir o cidadão sem interrupções.
Entre os equipamentos a serem entregues, Carvalho mencionou mais de uma dúzia de viaturas de resgate para o Corpo de Bombeiros, além de seis ou sete carros de combate a incêndio. Tais aquisições são vitais para a modernização da frota e a ampliação da capacidade de resposta em emergências, salvamentos e combate a sinistros, beneficiando diretamente a população e otimizando o trabalho dos profissionais. Adicionalmente, o secretário destacou a aquisição de 300 fuzis de Israel, um investimento significativo para equipar e modernizar o armamento das forças de segurança, garantindo maior poder de fogo e segurança para os próprios agentes no enfrentamento à criminalidade. A renovação constante de viaturas e equipamentos é uma demonstração do compromisso em dotar as polícias e o Corpo de Bombeiros das ferramentas necessárias para sua atuação eficaz, protegendo tanto a população quanto os próprios operadores da segurança.
Avanços no Combate à Violência Contra a Mulher
Um dos pontos de destaque na defesa da política de segurança do estado foi o combate à violência contra a mulher, um flagelo social que exige atenção e ações contínuas. Alessandro Carvalho apresentou dados que indicam uma redução nos casos de feminicídio em Pernambuco, ao mesmo tempo em que houve um aumento nas notificações de ocorrências de violência. Ele informou que o estado possui atualmente sete Delegacias da Mulher operando 24 horas por dia, um avanço notável se comparado à situação anterior, em que apenas uma delegacia funcionava nesse formato em todo o território pernambucano. A expansão desse serviço é crucial para garantir atendimento imediato e especializado às vítimas, muitas vezes em momentos de grande vulnerabilidade, e para encorajar a denúncia.
Os números apresentados pelo secretário revelam que, no primeiro semestre de 2026 (conforme os dados fornecidos no documento original, assumindo que se referem a um período comparável na linha do tempo da notícia), Pernambuco registrou uma redução de 27,5% nos casos de feminicídio em comparação com o mesmo período de 2025. Especificamente no Recife, a queda foi ainda mais acentuada, atingindo 66%. Em contrapartida, o registro de ocorrências de violência contra a mulher aumentou 39% no primeiro semestre de 2026. Essa aparente contradição, segundo Carvalho, é um indicativo positivo: 'Um feminicídio é o final de um processo de violência verbal, psicológica, financeira. (…) Quando se tira a violência do anonimato, o estado toma uma providência, e a gente consegue uma redução dos feminicídios. A política está no caminho certo', avaliou.
A interpretação é clara: o aumento das denúncias e registros de ocorrências não significa necessariamente mais violência acontecendo, mas sim que mais mulheres estão encontrando coragem e canais para denunciar. Isso permite que o estado intervenha precocemente, oferecendo proteção, apoio e medidas preventivas que podem quebrar o ciclo da violência e, em última instância, salvar vidas. A ampliação do acesso a delegacias especializadas 24 horas desempenha um papel fundamental nesse processo, empoderando as vítimas e fortalecendo a rede de proteção e enfrentamento à violência de gênero. Ao trazer a violência do âmbito privado para o público, cria-se a oportunidade de ação e prevenção antes que os casos atinjam um desfecho fatal.
A Segurança Pública como Pilar Social
A segurança pública, em sua complexidade, transcende a simples presença policial nas ruas. Ela envolve uma série de fatores interligados, desde o investimento em recursos humanos e materiais até a formulação de políticas que atendam às necessidades específicas de cada segmento da população. A defesa do secretário Alessandro Carvalho ilustra o desafio constante de equilibrar a alocação de recursos, a resposta às demandas sociais e a comunicação transparente com a sociedade em um ambiente político dinâmico e em constante transformação.
A expansão e modernização das forças de segurança, aliadas a uma abordagem mais sensível e estruturada para questões como a violência de gênero, são elementos cruciais para a construção de um ambiente mais seguro e justo para todos. O debate sobre a distribuição dos 'laranjinhas' e a eficácia das políticas de combate ao feminicídio são exemplos de como a segurança pública é um campo de constante avaliação e aprimoramento, com impactos diretos na qualidade de vida e na percepção de bem-estar dos cidadãos pernambucanos. A transparência e o diálogo contínuo são essenciais para que a sociedade possa entender e apoiar as ações governamentais, construindo uma segurança pública mais robusta e eficiente.
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Fonte: https://www.folhape.com.br
